As leituras são espaços privilegiados para o acolhimento de novos membros e participantes, acolhimento do desejo em relação à Psicanálise e a uma formação, implicando, portanto, em escuta, acompanhamento dos percursos, manejo transferencial. A partir das leituras, espera-se que os participantes constituam cartéis, apresentem uma produção à Escola, se impliquem com sua formação, enfim, que estabeleçam uma transferência de trabalho com a Escola.

 

Leitura - Freud  -  Texto: O mal-estar na civilização
Toda quarta-feira às 14:00 horas 
Coordenação: Liliane Brioschi

Grande parte das lutas da humanidade centralizam-se em torno da tarefa única de encontrar uma acomodação conveniente – isto é, uma acomodação que traga felicidade – entre essa reivindicação do indivíduo e as reivindicações culturais do grupo, e um dos problemas que incide sobre o destino da humanidade é o de saber se tal acomodação pode ser alcançada por meio de alguma forma específica de civilização ou se esse conflito é irreconciliável.” (Freud, O Mal-estar na Civilização)

O texto-eixo para esta leitura – O Mal-estar na Civilização, escrito em 1929 e publicado em 1930 – contem as reflexões de Freud sobre os caminhos que a humanidade trilha, bem como os desafios e os impasses que já foram superados, os que ainda se apresentam e aqueles que se vislumbram no horizonte. São inúmeras as articulações teóricas que sustentam os links entre essa caminhada humana e a subjetividade, tanto pelo viés das causas quanto dos efeitos. Esse é um trabalho considerado extremamente importante não somente para a psicanálise, mas também para pensadores e estudiosos dos mais diversos campos de saber que buscam o texto para um embasamento ou um diálogo.

O que torna esse trabalho sempre tão atual? Quais são os elementos tratados por Freud e a lógica de sua afiada elaboração que transformam esse escrito numa ferramenta tão importante e potente para a leitura de uma época, de qualquer época, em qualquer lugar?

As questões cruciais que desde sempre convidam/obrigam a refletir sobre a difícil empreitada que é a existência do homem são aqui levantadas: qual sua origem e seu destino, o que constitui sua felicidade e quais são os meios para ser feliz. E, não menos importante, quais são os meios de que dispõe para se defender dos sofrimentos intrínsecos à sua condição humana – precária e limitada para fazer frente tanto a grandeza do mundo externo, assim como aos infinitos e, tantas vezes, insondáveis caminhos do mundo interior.

Os homens – que para fazer frente a tal empreitada, somaram força para alcançar resultados e agruparam-se segundo as leis que criaram – viram-se diante de uma nova série de dificuldades e impasses, já que para viver juntos devem, além de renunciar a uma parcela de sua satisfação e de sua liberdade, lidar com a agressividade que brota no laço cada vez mais frágil com seus semelhantes. Ali, onde a oposição e a competição surgem no convívio e aliança com os outros, a agressividade encontra espaço e oportunidade para mostrar seu rosto, sua capacidade de destruição dos laços, comportando também um risco permanente de que a violência, a exclusão e a segregação ocorram. A pulsão de morte anda sempre a espreita nos entremeios dos laços duramente construídos por Eros. Freud nos diz:

"Não é fácil aos homens abandonar a satisfação dessa inclinação para a agressão. Sem ela, eles não se sentem confortáveis. A vantagem que um grupo cultural, comparativamente pequeno, oferece, concedendo a esse instinto um escoadouro sob a forma de hostilidade contra intrusos, não é nada desprezível. É sempre possível reunir um considerável número de pessoas no amor, enquanto sobrarem outras pessoas para receberem as manifestações de sua agressividade." (Freud, O Mal-estar na Civilização, p.136)

Vivemos num tempo em que as cenas de violência frequentemente ganham as manchetes, provocando assombro e insegurança. Além das formas de agressividade e exclusão que cada sujeito experimenta na própria carne enquanto leva sua vida cotidiana, brotam com força novas formas de violência espalhadas ao redor do mundo, forçando legiões de expulsos/excluídos a formar longas procissões em busca de um lugar em que tenham lugar, um asilo. As imagens são chocantes e demandam reflexão.

Em todos os sentidos, O Mal-Estar na Civilização é um grito de alerta!

Essa leitura torna-se, então, um convite para escutar esse grito que Freud emitiu bem lá atrás e que não cessa de ecoar quando encontra um alguém que o escute.    

Liliane Brioschi

 

Leitura - Lacan  -  Texto - O Seminario. Livro 4  A relação de objeto

Toda quarta-feira às 15:30 horas 
Coordenação: Andressa Barreto de Prá


Leitura - Lacan - Texto:  O seminário, Livro 7
. "A ética”
Toda quarta-feira às 17:00 horas 
​Coordenação: Vania Tardin de Castro


Leitura – Freud  - O conceito de pulsão Texto: “Além do princípio do prazer”
Toda sexta-feira às 14:00 horas 
Coordenação: Christiany Maria Basseti Cavalcante