CONSTELAÇÕES – RUTH FERREIRA BASTOS

Lembranças de Ferreira Gullar

CONSTELAÇÕES – RUTH FERREIRA BASTOS

JORNADA “O SINTHOMA” – RENATA CONDE VESCOVI

APRESENTAÇÃO - JORNADA “O SINTHOMA”[1]

Renata Conde Vescovi

Bom dia a todos!

Quero agradecer, em nome da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória (ELPV), a presença dos delegados da Escola Freudiana de Montevidéu, na pessoa de Octávio Carrasco, da Maiêutica Florianópolis, na pessoa do Maurício Maliska, da Escola Lacaniana do Rio de Janeiro, através de Ana Paula Gomes e Teresa Nazar, que manifestaram o desejo de se aproximar de nossa Escola e enlaçar conosco uma transferência de trabalho. Na verdade, a Escola do Rio de Janeiro é nossa parceira de longa data.  

Quanto à Escola Lacaniana do Rio de Janeiro, deixo um agradecimento especial, pela aposta e empenho em sustentar, no Encontro de Convergencia, que aconteceu este ano em Madrid, a possível entrada da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória ao Movimento Convergencia.

Convergencia, que se escreve sem o acento, para destacar seu valor significante em privilegiar um modo de convergir trabalho com analistas de outros países, de outras línguas, empenhados na tarefa de relançar os conceitos fundamentais de Freud e Lacan e fazer avançar questões cruciais da Psicanálise em nossa cultura. Trabalhar em Convergencia é uma aposta para que a Psicanálise mantenha a virulência do real que funda um psicanalista.

Quero ressaltar a importância de Teresa Nazar ter sustentado a possível entrada da ELPV na Comissão de Enlace Geral, no encontro que ocorreu em Madrid em maio 2015. Teresa levou a carta que eu, na função de diretora da Escola, escrevi, argumentando o nosso desejo de entrar para este movimento. Nesta carta, sustento os pontos que nos aproximam e nos particularizam em relação à Escola Lacaniana do Rio de Janeiro. Entretanto, a argumentação de Teresa foi fundamental para que se constituísse o primeiro nó de enlaçamento e pudesse nascer, do lado das Escolas que se dispuseram a trabalhar conosco, representadas pelos delegados que se encontram aqui em Vitória, uma transferência de trabalho com a ELPV.

Entendo que isso não se deu por acaso. Durante bons anos, Teresa, na qualidade de membro da ELPV, sustentou, através de seus Seminários, o ensino e a transmissão da Psicanálise, dando sustentação à formação dos analistas na Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória. Teresa também se ocupou da supervisão de muitos dos analistas membros da Escola. De tal modo que ela deixou marcas fundadoras inscritas na história da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória.

E por falar em marcas fundadoras, a ELPV já completou trinta anos desde sua fundação como Colégio Freudiano de Vitória. Isso não é qualquer coisa! Temos na Escola, hoje, três gerações de analistas.

Esta trajetória remeteu-me ao que Lacan nos diz a respeito da transmissão da lei do desejo. São necessárias três gerações para que algo do real, o inominável de um desejo que se encontra na origem, seja nomeado.

Cito Lacan: “Três gerações bastam!”

Esta reflexão sobre a origem e a fundação de um desejo sobre a transmissão e o ensino da Psicanálise levaram-me a perguntar sobre o que podemos nomear, passados trinta anos do percurso da Escola, a respeito de um desejo de nos lançarmos ao Movimento Convergencia?

Já se vão alguns anos que a ELPV “flerta”, “enamora-se” com a possibilidade de sua entrada no Movimento Convergencia. Mas, apenas agora, em 2015, decidimos por isto. Quais leituras poderíamos, então, fazer deste momento, aproveitando esta Jornada de trabalho, levando em conta um tempo lógico que esclareça sobre nosso desejo de nos enlaçarmos a este movimento?

Algumas questões me ocorreram. A Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória sempre seguiu seu caminho, trabalhando com muita disposição, muita seriedade; realizando jornadas e congressos, muitos deles junto com a Escola Lacaniana do Rio de Janeiro. Fizemos muitos eventos aqui na cidade de Vitória, com a participação de conferencistas estrangeiros. Estiveram conosco Gerard Pommier, Jean Michel Vaperrau, Jean Pierre Lebrun, Marie Cristhine Laslink, Dany Robert Deyfur, Diana Rabinovich – que esteve por duas vezes trabalhando conosco –, Marie Claude Lambotte entre outros. Eles vinham aos eventos ocupando certa posição de Sujeitos Suposto Saber, mas também surpreendiam-se com nossa produção, com nossa seriedade, com as publicações da Escola.

Quero destacar, aqui, o significante seriedade. Este é um significante que circula na comunidade de Vitória quando as pessoas se referem aos analistas e à formação que a Escola Lacaniana dispensa. Ele aponta para o sentido de um rigor ético com a formação – a Escola sustenta alguns trabalhos de conexão da Psicanálise com o social; é também um significante que traz o sentido da série, ou seja, de analistas da Escola que fazem marcas no real. Analistas cuja clínica avança e sustenta a transferência. É certo que existem outras Escolas de Psicanálise sérias em Vitória, mas é preciso dizer que este é um significante que nos nomeia no social.   

Isso é muito bom. No entanto, sempre me perguntei se isso não nos trazia certo conforto narcísico. Uma dose de acomodação que impedia de nos lançarmos além-muros para fazermos pontes, de trabalharmos com outras Escolas. Sofrermos ainda mais o crivo de outros colegas.

Em relação ao movimento além-muro (a-muro), sabíamos o que não queríamos. Não queríamos estabelecer vínculos de trabalho com Instituições cujo suporte é a lógica da hierarquia, da filiação onde a Escola precisa apagar o nome próprio para fazer parte como sucursal de uma grande instituição. 

Uma das coisas que li sobre o Lacanoamericano e sobre o Movimento Convergencia é a importância de um trabalho entre Escolas que exclua a “frerrocité”, este neologismo lacaniano traduzido em nossa língua por “frerocidade”. Achei este apontamento interessante, pois, em guetos, em patotas, estamos muito suscetíveis à frerocidade. Talvez isso se dilua um pouco mais quando trabalharmos com outras Escolas, com estrangeiros, permitindo-nos assim estabelecer laços mais fraternos ou menos ferozes, desde que se respeite a lógica do gradus, da diferença de lugares.

Quero destacar, também, a importância de conversarmos com outras Escolas sobre o trabalho de conexão da Psicanálise com outros discursos – trabalho que se destaca nesta Escola. O que é um trabalho de conexão do discurso analítico com políticas públicas, sejam elas de educação cultural, com o campo do jurídico e com a arte. Lembrando sempre de não adormecermos frente ao real que está em jogo no cerne da formação do analista, e dos cuidados para que não se responda a estas demandas com uma psicanálise aplicada.  

Em um dos documentos que li sobre a Convergencia, havia uma discussão sobre o lugar do discurso analítico frente ao mal-estar contemporâneo e sobre o como fazer frente à institucionalização da prática do analista em sindicatos e em instituições que estandartizam a formação.

Exatamente hoje e amanhã, acontece, aqui em Vitória, um evento: trata-se do I Encontro do Saber Psicanalítico, promovido pelo Sindicato dos Psicanalistas do Espírito Santo, cujo tema é: “A configuração do Sujeito nas novas formas familiares”. É preciso fazer frente a estes movimentos respondendo com trabalho e fazendo passar a importância do real que está em jogo na formação do analista.

Suponho também que o tempo lógico de enlaçamento ao Movimento Convergencia se impôs agora para a Escola pois algum amadurecimento, algum destacamento do traço da escola vem se dando.

Com o avanço dos percursos, o destacamento do traço dos analistas, que sustentam o fazer Escola, ganha algum destaque e isto impõe um desejo de se enlaçar em outras veredas; como já disse, o desejo de trabalhar com outras Escolas, sobretudo com os parceiros latino-americanos – estes que habitam o hemisfério Sul. Afirmou Lacan em Caracas: “Os sul-americanos privilegiaram-se do meu ensino sem terem sofrido o inconveniente de minha pessoa”. Ou seja, mais livre dos efeitos de mestria.  

A partir de 2011, temos trabalhado, desde o Seminário “O Ato Analítico”, os últimos seminários de Lacan, que versam sobre a escrita do real. Vejo, neste percurso, uma insistência em construir, demarcar a singularidade da Escola, em abordar os conceitos de Freud e de Lacan. Não é por acaso que o tema da nossa Jornada é O Sinthoma. Sinthoma que demanda de cada analista a invenção e a responsabilização frente ao irredutível do real.

Um último ponto a destacar sobre o tempo lógico de nossa entrada: ele também diz respeito ao fato de a Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória ter participado de algumas experiências de Passe. A Escola tem o passe como um dispositivo lógico fundamental na formação do analista. E sabemos que é uma experiência que traz o melhor e o pior.

Pergunto-me, então, se a solidão que o Passe impõe, com a emergência do real, se um o encontro com o traumático que essas experiências nos trazem, se isto não teria provocado o entusiasmo de convergirmos e trabalharmos com outros pares. Inclusive, apostar na possibilidade de contarmos com analistas de outras Escolas para montarmos dispositivos de passe, uma vez que somos muito próximos e tendemos a fazer grupo.

Certamente, deve haver outros elementos lógicos que justifiquem nosso desejo, nossa aposta de fazer parte do Movimento Convergencia. Vamos esperar que surjam do nosso diálogo, ao longo desses dois dias de trabalho.

Antes de encerrar, quero agradecer a Claudia, Hernani e Vânia. Logo que eu assumi a direção da Escola, solicitei a eles que estudassem as Atas e alguns textos da Convergencia, para que os apresentassem à Escola em assembleia e, assim, pudéssemos decidir sobre nosso pedido de entrada. Eles deram o pontapé inicial para estarmos aqui hoje. Eles também participaram comigo da reunião com os delegados que fizemos em maio, através de face time, em Madrid.

Agradeço, também, à Comissão Organizadora da Jornada, Vera, Darlene, Ruth, (Delegadas da ELPV) e Lurdes, com quem trabalhei junto à organização. Agradeço, também, a Lurdinha e Fernanda, nossas secretárias, parceiras de todas as horas!

Vamos ao trabalho!

Muito obrigada.  

 

 

[1] Texto Apresentado na Jornada O Sinthoma: Encontro Preparatório para o Ingresso da ELPV ao Movimento Convergencia, nos dias 21 e 22 de novembro de 2015, em Vitória – Espírito Santo.

CAPITU – Antonio Carlos Felix das Neves

Texto publicado no jornal A Gazeta em 27 de Abril de 2013

Se Dom Casmurro e Capitu vivessem nos tempos de hoje, na era do DNA, certamente  teriam dado um fim às suas dúvidas sobre a verdadeira paternidade de Ezequiel. A dúvida sobre a traição de Capitu parece ser o principal enigma da obra de Machado, o que mantém o suspense do romance. O  que pretendo problematizar neste ensaio é se o enigma de Capitu é  devido à dúvida sobre sua traição com Escobar ou à incerteza da paternidade de Ezequiel. É desse modo que levanto a hipótese de que o enigma que Capitu encarna na obra de Machado tem como pano de fundo o enigma da paternidade. Em outros termos, questiono se Machado não estabelece o pai incerto sobre umf undo, deslocado, da dúvida da traição. Vamos, então, à obra de Machado.

RELAÇÕES VIRTUAIS – Vera Lucia Saleme Colnago

Texto publicado no jornal A Gazeta em 04 de Maio de 2013

Psicanalista reflete sobre as modificações nos sujeitos, a partir da era digital, destacando o modo como são construídos os laços sociais e amorosos no monto contemporâneo.

MAIORIDADE PENAL – José Nazar

Texto publicado no jornal A Tribuna em 27 de Abril de 2013

Isto necessita de que se leve em conta uma boa educação no País. Isso é certo e Seguro! Que me perdoem, mas um debate  sério sobre a maioridade penal, no sentido de uma mudança estrutural, não diz respeito apenas  ao que se deve ou não fazer com as crianças e os adolescentes que praticam delitos e crimes. 

É um assunto que toca fundo outros setores da organização do  estado,  fundamentalmente, as famílias. Não adianta a sociedade imputar aos governos a responsabilidade que lhes cabe no um a um de cada cidadão.

ELES NÃO SABIAM! – José Nazar

Texto publicado no jornal A Tribuna em  23 de junho de 2013

Diga-se, trata-se de um movimento autêntico, inédito, alguma coisa até então nunca vista em nossa história. O passe livre é um ato que se consagra em sua suposta “ingenuidade” e tornou-se algo que deve ser debatido, mas sem contar  com ideias preconcebidas, prontas, já sabidas. 

É um movimento  eminentemente novo, no sentido de não se deixar contaminar, e essa particularidade deve ser levada em conta até as últimas consequências, como  a essência desse movimento. 

Isso porque, não houve, da parte dos primeiros a se manifestar — vejam que  evito usar a palavra liderança, e isso como respeito ao que eles próprios  propõem, eles repudiam, dizendo: “não queremos líderes”, ou seja, “não
 vamos admitir os aproveitadores, partidários, esses que só querem fazer o
 próprio nome, desse ou daquele partido político”.

ACHO… – Antonio Carlos Felix das Neves

Texto publicado

Depois de um tempo juntos, mas não muito, o homem se viu em condições de expressar seus sentimentos por sua nova namorada:

- Acho que estou gostando de você...

- Acho?! - censurou a namorada.

Ele, meio embaraçado, não sabia explicar o por que indeterminou seu afeto, deixando transparecer que exista algo em reserva. Talvez desejasse saber o que ela sentia, o que pensava a respeito, enfim, estava tentando criar um pouco mais de intimidade.

EU NÃO SEREI TODA SUA – Antonio Carlos Felix das Neves

Texto publicado 

Ela não podia se entregar toda numa relação amorosa. quer estar em todos os lugares, logo, não esta em lugar nenhum. Ela é capas de encantar a tudo e a todos, mas se acreditarem demais no seu encanto, foge sorrateiramente deixando um rastro de "não sei o quê".

A INVEJA ODIENTA! – José Nazar

Texto publicado no jornal A Tribuna em 16 de Junho de 2013

“Você tem o que eu não tenho! Por isso, o invejo e quero o que vejo em você. O  que eu quero me faz falta e é o que vejo em você. Como eu poderia não te odiar, se vejo em você um sucesso que em mim se apresenta sob o modo de
 um fracasso. Seu bem é o meu mal, sua abundância é minha penúria, sua generosidade é minha usura! E, ainda por cima, você quer me ajudar! Seu gesto  de solidariedade testemunha minha precariedade; logo, eu o odeio. Você é o espelho avessado da minha própria fraqueza. Nele, me vejo frente as minhas cicatrizes, minha vergonha, pois, nele reconheço a criança invejosa que eu 
teria sido. Como reagir frente a minha própria impotência, lidar com o fato insuportável de necessitar da ajuda de um outro, ali, onde eu mesmo deveria usar minhas próprias ferramentas para alcançar minhas conquistas? Sim,  porque todo mundo pode, de algum modo, realizar alguns sonhos. Mas isso não é sem empenho, perseverança, confiança em si mesmo.